F I E S - O PREÇO PARA QUEM NÃO SE PLANEJOU

   Desde o início da vigência dos contratos de Financiamento Estudantil - FIES, criado em 1999 em substituição ao PCE/CREDEC, que estamos alertando quanto ao perigo de um não planejamento para o pagamento deste contrato e seus aditamentos semestrais. Primeiro, por ser um financiamento de longo prazo; segundo, pela forma diferenciada de efetuar seus pagamentos e terceiro porque ele é composto de três fases ou etapas diferentes, tendo a sua forma de pagamento também diferenciada em cada fase.

   A forma de pagamento do financiamento em questão obedece à seguinte ordem: durante a utilização do financiamento (período de estudos), o estudante pagará, a cada 03 (três) meses, parcelas de juros limitadas ao valor máximo de R$ 50,00; 

   Nos 12 (doze) primeiros meses após a conclusão do curso, o estudante pagará prestações mensais em valor equivalente à parcela que não era financiada pelo FIES no último semestre em que utilizou o financiamento. Essa etapa poderá ser antecipada por iniciativa do estudante ou inobservância das condições do financiamento; 

   O saldo devedor restante será parcelado em até uma vez e meia o período de utilização do financiamento, sendo o valor das prestações calculado pela Tabela Price. 

   É permitida, a qualquer tempo, a amortização parcial ou liquidação antecipada do saldo devedor.

   Ressalta-se que, na primeira fase, o estudante financiado paga R$ 50,00 por trimestre no máximo, ou seja, R$ 200,00 por ano, ou ainda, se projetarmos 10 semestres, um total de R$ 1.000,00, enquanto vai contraindo uma dívida com taxas de juros capitalizada mensalmente. Esta informação por si só já é suficiente para qualquer planejador financeiro ficar em estado de alerta, pois imaginar que o estudante durante o seu período acadêmico na Universidade não tem condições de arcar com o custo do curso é bastante lógico, mas daí imaginar que tão logo conclua o curso reunirá condições econômico-financeiras para então responder na integridade pelo valor do curso - agora agregado pelo custo financeiro, mesmo com uma taxa de juros relativamente baixa em contraposição com o as taxas de mercado utilizadas pelas instituições financeiras - é, no mínimo, ingenuidade.

   Tal observação está sendo feita tendo em vista a grande procura de estudantes e/ou representantes destes em nosso escritório literalmente apavorados com a crescente dívida junto à Caixa Econômica Federal, órgão gestor e financiador do FIES. O susto é ainda maior quando fazemos projeções através de um fluxo de caixa e os estudantes verificam que, quando entrarem na terceira fase do financiamento, ou seja, quando o saldo devedor será financiado pelo sistema de amortização conhecido como TABELA PRICE ou Sistema Francês de Amortização, dificilmente poderão sequer pagar as prestações mensais. 

   Para um melhor entendimento, imaginemos um financiamento de matrícula inicial mais 10 semestres de R$ 4.000,00 cada, totalizando R$ 44.000,00. Ao final do curso, o estudante teria pago R$ 1.100,00 e o saldo devedor seria de +/- R$ 55.000,00. Na segunda fase, vamos supor que pagaria uma prestação de R$ 300,00, sendo pagas 12 parcelas num total de R$3.600,00. Isso resulta num saldo devedor aproximado de R$ 57.000,00, saldo este financiado pela Tabela Price com taxa de juros de 9% ao ano em 99 parcelas de R$ 807,00, gerando um débito total geral de +/- R$ 85.000,00.

   Diante do exposto, entendemos que, considerando a média das taxas de juros praticadas no mercado financeiro, a taxa de 9% ao ano, mesmo capitalizada mensalmente, seria uma taxa atraente. No entanto, temos que ter em mente que não estamos analisando um investimento empresarial e/ou empreendimento profissional, mas sim de um curso acadêmico profissional, que por si só não tem garantia de retorno financeiro no curto e médio prazo. Nossa avaliação é que a instituição financeira é sabedora do alto risco desta operação, porém está garantida através dos fiadores. Na prática, a CEF, que tem o papel de operacionalizar um benefício estudantil, trata esse financiamento como mais um produto financeiro a ser vendido para a clientela, tanto é que, segundo relato de alguns fiadores, estes tiveram que abrir conta corrente e comprar alguns produtos financeiros, tais como seguros e outros, tornando assim a operação mais onerosa ao financiado e mais rentável ao financiador.


MEMÓRIA DE CÁLCULO

TOTAL FINANCIADO :

R$    44.000,00

TOTAL PAGO :

R$      4.700,00

TOTAL DE JUROS :

R$    38.146,73

SALDO DEV. APÓS A AMORTZ :

R$    57.008,42

VALOR PRESTAÇÃO TAB PRICE

R$         807,28

TOTAL DE PRESTAÇÕES (99)

R$    79.920,96

CUSTO TOTAL DO FIES

R$    84.620,96


JUROS CONTRATUAIS:

 

0,720732% AO MÊS

 


ROBERTTO ONOFRIO
CRC 49.568

 

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